quarta-feira, 25 de maio de 2011

Reflexão sobre a servidão voluntária.


A servidão Voluntária é um tema que foi amplamente tratado pelos pensadores durante toda a história humana, mas esse foi muito debatido durante a época do Iluminismo em que questões humanas com aquela, liberdade entre outras foram amplamente discutidas.

Rousseau, por exemplo, alegava que a liberdade era alcançada quando a lei obedecida por alguém é a prescrevida por este mesmo, ou seja, quando os próprios homens criam suas leis, de acordo com a vontade geral. O governante, então, seria aquele responsável por garantir a soberania do povo e escolher o que seria melhor para este. Porém é no contrato social em que a condição de liberdade do homem se dá como ameaçada. Neste, o homem percebeu a importância de viver uns com os outros para a sua sobrevivência e abriu mão da sua liberdade em busca de um consenso. O fim da liberdade natural do homem em proveito de uma coesão e um consenso social para vida coletiva, causou a sujeição ao trabalho, à servidão e a miséria, e esse sistema de desigualdade é legitimado pela falta de consciência, um hábito impregnado que só a educação poderia modificar.

Essa falta de consciência nos homens provocada pelo contrato social provoca um fenômeno que é denominado por Rousseau como servidão voluntária: "O homem nasce livre, mas por toda parte encontra-se aprisionado". A servidão voluntária, para Rousseau, se manifesta nas pessoas agindo de acordo com ordens que recebem sem pensar no porque as fazem. Ela pode acontecer de maneira inconsciente, sendo motivada pelo hábito que cada um adquiriu em sua educação. Podemos também encontrar dissertações sobre a servidão voluntária no discurso sobre esta de La Boetie. Este afirma que é característica própria do homem ser bom; na verdade, o filósofo não compreende como toda uma população, milhares de homens podem se submeter ao jugo de um só tirano, abdicando da própria liberdade, se na verdade: ''Tantos homens, tantos burgos, tantas nações, suportam as vezes um tirano só, que tem apenas o poderio que eles lhe dão, que não tem o poder de prejudicá-los senão enquanto tem vontade de suporta-lo''. A força do tirano é a força do povo, por isso,  parece não haver sentido aparente nessa servidão voluntária, em abrir mão da própria liberdade, em troco dos mal-tratos do tirano. Etienne La Boetie, em uma visão oposta a de Hobbes, acredita na igualdade dos homens, feitos sob a mesma forma e fôrma pela natureza. La Boetie nega, portanto, toda a forma de tirania, ao contrário de Hobbes que a legitima quando fala que a única obrigação do Estado é garantir a vida, ou seja, a felicidade não necessariamente existe ou qualquer condição boa de vida. Aprofundando mais um pouco no pensamento de Hobbes é pertinente ressaltar que para ele “o homem é o lobo do homem” e para conter essa guerra interminável, os seres humanos concordam em firmar um contrato social. Este contrato subjuga as liberdades da população nas mãos do soberano, criando assim uma servidão. É possível inferir que para Hobbes a Servidão Coletiva é um modo de vida, pois todos devem estar submetidos aos mandos do grande Soberano, pois as liberdades são a ele cedidas por meio do contrato social. Por fim, La Boetie ainda aponta como causa da servidão voluntária o costume, o nascer e ser educado como servo, sem conhecer a liberdade, portanto sem meios de desejá-la ou apontar-lhe como a melhor opção.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Análise Revolta da Vacina.

A Revolta da Vacina foi um movimento de resistência popular ocorrido no Rio de Janeiro em novembro de 1904 e teve por motivo principal a reestruturação urbana da capital nacional, inspirada na que ocorrera em Paris em 1850. Acontece que esta urbanização, popularmente conhecida como ''Bota Fora'', foi responsável pela demolição de muitos cortiços e casarões velhos e assim centenas de famílias foram expulsas para a periferia. Sem uma infra-estrutura preparada para receber esses milhares de pessoas, a cidade carioca encontrou-se em uma situação de graves problemas urbanos: saneamento precário, acumulação de resíduos e super povoamento nas moradias populares. Uma reforma sanitária foi conduzida na cidade, liderada pelo prefeito Pereira Passos, e pelo chefe do Departamento Nacional de Saúde Pública e cientista, Osvaldo Cruz que tinha como objetivo principal obter controle das epidemias que se alastravam pelas áreas mais precárias, como a febre amarela, a varíola e outras.
Devido ás doenças o governo impôs a vacinação obrigatória e criou uma lei que permitia os ficais do Estado entrarem nas casas e aplicarem as vacinas à força, além disso, a falta de instrução da população perante o modo como a vacina seria aplicada gerou revolta. O descontentamento generalizado resultou no levante de novembro de 1904 que foi violentamente reprimido e acabou com cerca de 110 feridos, 40 mortos, inúmeras prisões e várias pessoas foram mandadas para o Acre.
Ao relacionarmos a Revolta da Vacina com a obra de Maquiavel, podemos inferir que o Estado, visando manter a ordem e resolver as tensões políticas, optou por sufocar a revolta de forma extremamente violenta. Apesar de no fim o conflito ter sido resolvido e o Estado mantido, desse modo justificando os meios do qual se utilizou para conter o levante, o governo não se preocupou em encontrar maneiras eficientes de evitar o descontentamento da população e o conseqüente atrito com as forças militares assim escapando a um dos princípios básicos defendidos por Maquiavel, que o príncipe deve evitar o máximo o ódio dos súditos, idéia ilustrada na citação: “O príncipe deve procurar evitar, como foi dito anteriormente, o que o torne odioso ou desprezível e, sempre que assim agir, terá cumprido o seu dever e não encontrará nenhum perigo nos outros defeitos.”.
O principe do fato histórico não soube agir de acordo com a fortuna que se lhe apresentou e evitar a revolta, contudo, pode-se considerar que as atitudes dos governantes da época, foram baseadas em posturas governamentais anteriores e assim, na própria história brasileira, para agir do modo que eles julgaram melhor. O pensamento de Maquivel é consoante a esta postura do governo, pois o seu pensamento confere um certo caráter de recorrencia aos fatos, embora cada acontecimento seja singular, assim o principe precisa ter o conhecimento do passado para saber como proceder. ''