sexta-feira, 16 de maio de 2014

Artigo: O sistema tributário brasileiro no cenário internacional



Universidade de São Paulo
Gestão de Políticas Públicas

Gabriela Juarez Cocito – Número USP: 7957261

O sistema tributário brasileiro no cenário internacional


Estudos sobre o campo tributário dos países já foram sistematizados por diferentes organizações internacionais, como a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL). Nesses estudos, o sistema tributário brasileiro pode ser confrontado com outros sistemas pelo mundo, tanto de países com economia semelhante à brasileira, como aqueles com economias mais desenvolvidas. Esses comparativos funcionam como importantes ferramentas na medida em que colaboram para o esclarecimento de ideias sobre a condição brasileira nessa área. A carga de impostos e as ineficiências do sistema tributário brasileiro são temas que se destacam nessas análises.
A carga de impostos brasileira está bem acima da média de outros mercados emergentes, exemplo disso é o Brasil ser o país que mais cobra impostos entre os países do BRICS. O grupo do BRICS surgiu a partir de uma sigla criada pelo mercado financeiro mundial para indicar os mercados emergentes de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul e, em certo sentido, a nova organização internacional. A participação desses países na produção global cresceu rapidamente entre 2000 e 2008 e durante a crise que se seguiu, as economias desses países apresentaram um desempenho melhor do que outros países, por isso a criação da sigla pelo mercado financeiro e a reunião desses países em um bloco.
Nesse sentido, a questão da carga tributária brasileira pode exercer importante influência no cenário internacional, uma vez que pode reduzir a competitividade das exportações, dificultar a expansão do comércio exterior, afastar investidores externos e desmotivar a produção nacional. Portanto, a inserção econômica internacional do Brasil fica comprometida com a alta carga tributária.
Estudo realizado pela OCDE, em 2012, intitulado “Estatísticas sobre Receita na América Latina”, tema de estudo para a CEPAL também, revela que na estrutura tributária brasileira, o porcentual de impostos indiretos arrecadados pelo Estado, principalmente o ICMS, é alto em relação aos demais países dessa organização, o que torna o sistema brasileiro complexo. Já a tributação direta, as receitas tributárias de impostos sobre rendimentos e lucros, desempenha papel secundário no Brasil, assim como na América Latina em geral. Além das contribuições sociais, previdenciárias e trabalhistas. Em 2013, a OCDE aponta que para permitir maior redistribuição de renda e aumentar a produtividade é necessária atenção especial para reformas estruturais: gestão das finanças públicas de forma clara, previsível e transparente.  
Os estudos apresentados até aqui evidenciam, em âmbito internacional, aspectos do sistema tributário brasileiro que demandam atenção especial nessa análise: justiça, eficiência econômica, accountability e educação fiscal. Esses aspectos ficam ameaçados com a alta imposição de tributos sobre o consumo (impostos indiretos), elemento que reforça ausência de transparência, responsabilidade política e capacidade contributiva daqueles com maior capacidade econômica. A distribuição dos recursos provenientes da tributação, o controle, a transparência dos gastos públicos e a redistribuição de riqueza para uma sociedade mais justa, assim como a educação fiscal dos cidadãos são instrumentos essenciais para se produzir debates sobre reforma tributária e gestão dos recursos na administração pública.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

O campo de concentração contemporâneo


Para Foucault o poder é distribuído em diferentes instituições, parcialmente centralizado em cada uma, no entanto, descentralizado no âmbito global, acaba sob a gerência do Estado, que abarca todas as instituições e a partir desse monopólio legitima seu próprio poder, sua soberania. Diferentemente de Maquiavel e dos jusnaturalistas, Foucalt acredita que o poder não se concentra nas mãos do soberano, de forma objetiva e absoluta como um objeto, mas dentro da relação social em que alguém exerce domínio, interpretação similar à weberiana. Esta lógica presente no conceito de poder é fundamental no exercício de cargos dentro da burocracia estatal e das próprias instituições, que criam em torno de si uma grande rede de poderes que em última instância, de maneira sutil é finalizada no Estado.

Em sua obra, Foucault determina dois âmbitos de dominação, ou melhor, controle sobre a sociedade: o institucional e o Estatal. '' a série corpo-organismo-disciplina-instituições; e a série população-processos biológicos-mecanismos regulamentadores-Estado.'' (pg 298 - Michel Foucault; Em defesa da sociedade)

As instituições foram as grandes responsáveis por desenvolver uma organização disciplinar da vida dos indivíduos, introjetando certos tipos de comportamento através do exercício de um domínio cotidiano sobre os homens, uma tecnologia da disciplina, que foi desenvolvida exatamente a partir do exercício diário do poder dessas instituições. Essa espécie de poder, da tecnonologia da disciplina, é identificada por Foucault como potencializada no século XVII e XVIII, não por acaso. De fato, ao considerarmos esses dois séculos e retormarmos os eventos históricos da época,identificaremos na revolução francesa, na revolução gloriosa, na guerra civil inglesa, entre outros eventos marcantes do período, a ascensão da burguesia aos governos, seu domínio iminente do poder político e das possíveis determinações dos rumos da sociedade, concretizadas através do Estado.  Na tecnologia disciplinar, o caráter de racionalização e instrumentalização da vida, determinado nas diferentes esferas da vida (como Weber teorizou, a Esfera afetiva, política, econômica...) é evidente, como se as instituições pudessem determinar um ritmo disciplinar adequado, moldando os indivíduos na mansuetude e docilidade, para melhor produzirem, melhor se adequarem a sociedade burguesa.

Obviamente, considerar o desenvolvimento da tecnologia da disciplina e a potencialização das instituições nesse período apenas considerando a ascensão burguesa como critério, responsabilizando uma classe por todo o processo, seria uma análise rasa, superficial. Houve uma influência forte dessa classe na intensificação do processo, porém, ele é anterior a ascensão burguesa ao poder. A construção e introjeção da técnica da disciplina nos indivíduos nos diferentes âmbitos da vida pública e privada (não se pode esquecer da família como instituição, por exemplo) é um processo longo e complexo, que pode ser também associado ao processo de ascensão da razão como pilar central da vida, desenvolvido durante a modernidade. A crença de que a razão, por si só poderia conduzir os homens a uma sociedade ideal, com todos conflitos mediados pela razão, através do direito, a sociedade harmônica e perfeita, acompanhada pela federação dos países, como já delineava Kant em História de um ponto de vista cosmopolita. As ações racionais, a introjeção da disciplina, da autocontenção, é um processo também relacionado com a adoção das ciências, da razão pelos homens, espontaneamente, como forma de poder fazer a sociedade elevar-se para um grau ''evolutivo'' maior e os próprios homens ascenderem, pela autodeterminação racional.

Após estabelecer um controle ativo dentro da sociedade, dominarem com as regras de conduta, diciplina a vida privada e pública dos indivíduos, exercendo esse poder descentralizado nas diversas instituições mais canalizado sobre toda a sociedade, os homens podem ser visualizados como pré determinados, criados, pelas próprias instituições e pelo Estado.  

Este Estado, por outro lado, controla os homens de maneira mais ampla, não como indivíduos, mas como população, administrando a vida de cada um em função do todo. O exercício desta espécie de domínio confere ao Estado um poder inigualável sobre a vida, o Biopoder, poder de ''deixar viver, fazer morrer'' de acordo com o mais conveniente para o próprio corpo social, o mais lucrativo. A natureza da sobrerania foi modificada, como é perceptível, de soberanos que se autoafirmavam através da morte pública, do poder de retirar a vida, para o poder de garanti-lá. Nem todos, no entanto, se encontram inscritos dentro do poder do Estado de garantir a vida, abarcados pelo biopoder estatal, pois o Estado precisa escolher aqueles que ''merecem'' sobreviver, os que se forem deixados vivos, serão seres produtivos, que participaram na comunidade. Delineia-se na sociedade contemporânea, de maneira sofisticada, então, um racismo, não no sentido étnico, mas em um sentido evolucionista: eliminar, ou deixar morrer os mais fracos, por sua vida não acrescentar em nada a produtividade da população e somente ser onerosa para o Estado e para outros membros da comunidade.

É no âmbito do Estado, portanto, que se estabelece uma gerência populacional, ou da sociedade, não muito diferente de uma empresa, de um campo de concentração como o nazista, mas desta vez invisível, colocado com suas grades de arame farpado nas grandes metrópoles e que deixa morrer, os mendigos, a população mais pobre, os velhos... por atenderem a demanda produtiva social necessária para que valha a pena a manutenção das suas vidas, é uma questão puramente racional, administrativa, empresarial, acontece no entanto, que o preço desta seleção, não é um emprego, não é uma vaga dentro de uma fábrica, é a própria vida, e os membros dessa população, são incapazes de percebê-la até a morte assola-los, ou passar rente aos seus olhos. É impressionante como escondemos e fugimos da morte, como o diabo foge da cruz, pois é, não é puramente por acaso. 

Conclui-se, portanto, que dentro da sociedade contemporânea esses dois tipos de controle monopolizaram todas esferas da vida de forma tão intensa e totalitária que os membros da sociedade já nascem dentro de um molde e serão construídos pelas inúmeras instituições que determinam as regras de praticamente todas esferas da vida, não conseguindo a menor autonomia, pior, nessa sociedade de construção, perdemos a capacidade de questionamento, de análise, de utilizarmos a razão para a reflexão, perdemos a noção de quem somos, de onde estamos e somos incapazes de nos autodeterminarmos e nos apartamos das instituições e do Estado. Somos em última instância produto, objeto de submissão a uma lógica de produção social, somos um número, um código de barras para o Estado e para nós mesmos, bem, essa pergunta não é possível responder.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Exploração e suas duas filhas: a desigualdade e a miséria

O pilar central da vida em comunidade é muito mais uma questão de necessidade do que de escolha. É como Sócrates disse no segundo livro da República: “Uma cidade nasce, parece-me, porque cada um de nós não é auto-suficiente, mas carente de muitas coisas”. Como seres incompletos e diferenciados que somos, temos na interdependência a garantia da sobrevivência, e na base desta última, em qualquer sociedade, o trabalho.
Somente o trabalho, seja qual for a sua natureza, é capaz de produzir os frutos para alimentar a humanidade. A derradeira questão é como será feita a distribuição desses frutos? A esse respeito Sócrates não poderia ter sido mais breve ao dizer “cada um deve pôr o trabalho dele a disposição de todos”. De fato, se a apropriação do trabalho de toda a comunidade fosse igualitária, para cada uma de suas partes poderíamos encontrar o “paraíso em terra”, uma existência mais justa todos seres humanos.
É difícil visualizar essa cidade ideal, que Platão exaustivamente descreve, em um plano próximo ao da nossa existência. Somos herdeiros de um modelo de sociedade fundado com base no capital, na qual a divisão social do trabalho não deixa de ser um principio, nem o poderia, mas enquanto a cesta de poucos pesa de tantos frutos, outros estendem as mãos vazias. Por aqui a desigualdade é legitimada e anda de mãos dadas com a exploração dos homens.
A historia prova que a exploração dos homens e a desigualdade não existem apenas na sociedade burguesa. Esses princípios podem ser observados em sociedades pré-capitalistas, como o Império Romano. A desigualdade e a miséria são as maiores conseqüências desse modelo de sociedade, que foi gestado por séculos em conjunto com o capitalismo. A construção desse estado modelo de “coisas” atual, parte do princípio da apropriação do trabalho de muitos por poucos, da acumulação do capital nas mãos de um grupo, uma classe, que oprime os demais.
Ocorreu sobre tudo uma alienação do trabalho e do papel que cada individuo tem no corpo social do qual faz parte. Parece que não faz diferença tentar agir de uma maneira ou de outra, o resultado seria inócuo. Por fim legitimamos um sistema e uma realidade, naturalizando-os quando são puramente construções históricas e fomos seduzidos pelos possíveis benefícios ou pela possível “ascensão” social dentro desse regime. Em fim destruímos a partir da exploração do homem sobre outros homens, qualquer panorama de comunidade em qual prevaleça a justiça e a igualdade.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Reflexão sobre a servidão voluntária.


A servidão Voluntária é um tema que foi amplamente tratado pelos pensadores durante toda a história humana, mas esse foi muito debatido durante a época do Iluminismo em que questões humanas com aquela, liberdade entre outras foram amplamente discutidas.

Rousseau, por exemplo, alegava que a liberdade era alcançada quando a lei obedecida por alguém é a prescrevida por este mesmo, ou seja, quando os próprios homens criam suas leis, de acordo com a vontade geral. O governante, então, seria aquele responsável por garantir a soberania do povo e escolher o que seria melhor para este. Porém é no contrato social em que a condição de liberdade do homem se dá como ameaçada. Neste, o homem percebeu a importância de viver uns com os outros para a sua sobrevivência e abriu mão da sua liberdade em busca de um consenso. O fim da liberdade natural do homem em proveito de uma coesão e um consenso social para vida coletiva, causou a sujeição ao trabalho, à servidão e a miséria, e esse sistema de desigualdade é legitimado pela falta de consciência, um hábito impregnado que só a educação poderia modificar.

Essa falta de consciência nos homens provocada pelo contrato social provoca um fenômeno que é denominado por Rousseau como servidão voluntária: "O homem nasce livre, mas por toda parte encontra-se aprisionado". A servidão voluntária, para Rousseau, se manifesta nas pessoas agindo de acordo com ordens que recebem sem pensar no porque as fazem. Ela pode acontecer de maneira inconsciente, sendo motivada pelo hábito que cada um adquiriu em sua educação. Podemos também encontrar dissertações sobre a servidão voluntária no discurso sobre esta de La Boetie. Este afirma que é característica própria do homem ser bom; na verdade, o filósofo não compreende como toda uma população, milhares de homens podem se submeter ao jugo de um só tirano, abdicando da própria liberdade, se na verdade: ''Tantos homens, tantos burgos, tantas nações, suportam as vezes um tirano só, que tem apenas o poderio que eles lhe dão, que não tem o poder de prejudicá-los senão enquanto tem vontade de suporta-lo''. A força do tirano é a força do povo, por isso,  parece não haver sentido aparente nessa servidão voluntária, em abrir mão da própria liberdade, em troco dos mal-tratos do tirano. Etienne La Boetie, em uma visão oposta a de Hobbes, acredita na igualdade dos homens, feitos sob a mesma forma e fôrma pela natureza. La Boetie nega, portanto, toda a forma de tirania, ao contrário de Hobbes que a legitima quando fala que a única obrigação do Estado é garantir a vida, ou seja, a felicidade não necessariamente existe ou qualquer condição boa de vida. Aprofundando mais um pouco no pensamento de Hobbes é pertinente ressaltar que para ele “o homem é o lobo do homem” e para conter essa guerra interminável, os seres humanos concordam em firmar um contrato social. Este contrato subjuga as liberdades da população nas mãos do soberano, criando assim uma servidão. É possível inferir que para Hobbes a Servidão Coletiva é um modo de vida, pois todos devem estar submetidos aos mandos do grande Soberano, pois as liberdades são a ele cedidas por meio do contrato social. Por fim, La Boetie ainda aponta como causa da servidão voluntária o costume, o nascer e ser educado como servo, sem conhecer a liberdade, portanto sem meios de desejá-la ou apontar-lhe como a melhor opção.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Análise Revolta da Vacina.

A Revolta da Vacina foi um movimento de resistência popular ocorrido no Rio de Janeiro em novembro de 1904 e teve por motivo principal a reestruturação urbana da capital nacional, inspirada na que ocorrera em Paris em 1850. Acontece que esta urbanização, popularmente conhecida como ''Bota Fora'', foi responsável pela demolição de muitos cortiços e casarões velhos e assim centenas de famílias foram expulsas para a periferia. Sem uma infra-estrutura preparada para receber esses milhares de pessoas, a cidade carioca encontrou-se em uma situação de graves problemas urbanos: saneamento precário, acumulação de resíduos e super povoamento nas moradias populares. Uma reforma sanitária foi conduzida na cidade, liderada pelo prefeito Pereira Passos, e pelo chefe do Departamento Nacional de Saúde Pública e cientista, Osvaldo Cruz que tinha como objetivo principal obter controle das epidemias que se alastravam pelas áreas mais precárias, como a febre amarela, a varíola e outras.
Devido ás doenças o governo impôs a vacinação obrigatória e criou uma lei que permitia os ficais do Estado entrarem nas casas e aplicarem as vacinas à força, além disso, a falta de instrução da população perante o modo como a vacina seria aplicada gerou revolta. O descontentamento generalizado resultou no levante de novembro de 1904 que foi violentamente reprimido e acabou com cerca de 110 feridos, 40 mortos, inúmeras prisões e várias pessoas foram mandadas para o Acre.
Ao relacionarmos a Revolta da Vacina com a obra de Maquiavel, podemos inferir que o Estado, visando manter a ordem e resolver as tensões políticas, optou por sufocar a revolta de forma extremamente violenta. Apesar de no fim o conflito ter sido resolvido e o Estado mantido, desse modo justificando os meios do qual se utilizou para conter o levante, o governo não se preocupou em encontrar maneiras eficientes de evitar o descontentamento da população e o conseqüente atrito com as forças militares assim escapando a um dos princípios básicos defendidos por Maquiavel, que o príncipe deve evitar o máximo o ódio dos súditos, idéia ilustrada na citação: “O príncipe deve procurar evitar, como foi dito anteriormente, o que o torne odioso ou desprezível e, sempre que assim agir, terá cumprido o seu dever e não encontrará nenhum perigo nos outros defeitos.”.
O principe do fato histórico não soube agir de acordo com a fortuna que se lhe apresentou e evitar a revolta, contudo, pode-se considerar que as atitudes dos governantes da época, foram baseadas em posturas governamentais anteriores e assim, na própria história brasileira, para agir do modo que eles julgaram melhor. O pensamento de Maquivel é consoante a esta postura do governo, pois o seu pensamento confere um certo caráter de recorrencia aos fatos, embora cada acontecimento seja singular, assim o principe precisa ter o conhecimento do passado para saber como proceder. ''

quarta-feira, 30 de março de 2011

Para política o bem comum é a ordem?

O bem comum, expressão tão levianamente usada no nosso dia-a-dia, é algo completamente controverso e utópico, implica em que todos os indivíduos compartilhem de um mesmo ideal, que abdiquem de seus desejos pessoais e suas diferenças que fazem de cada um, cada um. Em uma comunidade onde de fato houvesse um objetivo único, a necessidade de um Estado e de leis seria erradicada. Como, felizmente, nossa sociedade consiste em milhares de pessoas com idéias e opiniões distintas, é impossivel todos terem suas vontades realizadas. Um consenso precisa ser alcançado e é por meio da ordem que isso se torna possível. Entretanto, ocasionalmente a ordem acaba se tornando a justificativa para o uso da política em prol dos interesses dos governantes e não dos governados. Se para a política a ordem é o suficiente para alcançar o aclamado bem comum, ela se contradiz; para Hobbes um Estado apolítico apenas se torna político no momento que os indivíduos entregam parte de sua “liberdade” ao soberano em troca de proteção e ordem, mas em uma ditadura, onde a ordem existe como em nenhum outro tipo de Estado, o bem comum é ignorado e o governante sobe ao poder sem passar por nenhum processo de aprovação popular.

Camila Pinheiro.

Segundo Norberto Bobbio no Dicionário de Política, a manutenção da ordem nas relações internas de um Estado se define como um fim mínimo para a Política, para a execução posterior dos outros fins. Com base nesse pensamento e conscientes da situação de uma sociedade desigual, resultado da influência do poder econômico e ideológico e constituída por indivíduos pensando de formas distintas entre si, poderíamos prever a origem de conflitos pela defesa da vontade particular, tendo como solução desse impasse o uso da força física pelo o poder político.
Entretanto, esse poder político ou civil chega para propor uma ordem na sociedade, por meio de um consenso de ideais. Esse consenso, na verdade, trata de um equilíbrio de vontades e não uma unanimidade de interesses. Para amenizar o conflito e obter a ordem como resultado imediato da organização da coação, o poder civil se estabelece e proporciona para a comunidade o bem comum.

Gabriela Cocito.

 Partindo da premissa que o bem comum é o considerado por todos o ideal, ou seja, seria um concenso de todos os governados e governantes sobre as posições que o grupo assumiria, não acredito que o bem comum seja possivel, a não ser em grupos muito pequenos e nestes a partir do concenso e da tomada de atitude conjunta de todos os membros do grupo, haveria a ordem, portanto o bem comum se tornaria sinônimo da ordem.
Essa ideia no entanto é utópica, o concenso é um estado extremamente frágil e sempre haverão pessoas com posturas diferentes que entrarão em conflito, principalmente em grupos grandes. Nesse momento a política se faz presente na escolha das diretrizes do grupo, a favor de uns (de preferência a maioria) e contra outros. Estes últimos sem a vontade cumprida podem se revoltar e nesse momento os governantes usariam da força para fazer prevalecer a ordem e o grupo se manter coeso. Neste caso a ordem existe, mas o bem comum não. Portanto, para a política o bem comum não precisa ser a ordem, ambos existem dissociadamente, na verdade, é raro não estarem dissociados.

Jessica Castro.

O que é o bem comum, para a Política? Uma vez que a condição para a aplicação da Política é a existência de algo a ser governado, ou seja, uma sociedade, pode-se admitir que o bem comum da Política seja o bem comum da sociedade. Este, por sua vez, não pode ser determinado pelos indivíduos governados, pois suas opiniões são demasiadamente díspares. Assim, os governantes estipulam o bem comum, que deverá ser sustentado por meio da coação e, em última instância, da coerção. Desse modo, o indivíduo é mantido em seu estado de ‘bom selvagem’, em que obedecerá às regras e não infligirá na manutenção do bem comum. No entanto, para que esse sistema funcione, é preciso uma ordem.
A ordem, considerando a definição do Dicionário de Política de Norberto Bobbio, é a finalidade da Política. Mas enquanto a ordem é fim, o bem comum é uma necessidade. Para haver Política, é preciso sociedade, que necessita do bem comum, o qual depende da ordem que, por sua vez, é o objetivo da Política. A ordem, então, é essencial para o bem comum; caso não o fosse, a sociedade estaria sofrendo conflitos, que poderiam ser do âmbito social, econômico ou até mesmo ideológico. Mas ela não necessariamente é o suficiente. Se a ordem não for precedida da conscientização do bem em prol da maioria, ela não poderá levar ao bem comum.

Luiza Munhos

 
Respondo sim. O poder político por sua excelência visa um consenso e um bem comum dos cidadãos de seu Estado, um equilíbrio de tensões. O bem comum, neste caso, será o orientador das condutas, leis e por se dizer da ordem de um Estado rumo a uma política plena. Importante ressaltar que a ordem não aparece apenas em poderes políticos. As ditaduras são claro exemplos de regimes -que oscilam entre âmbitos despóticos e políticos ou até mesmo, em certos casos, tendem para características paternais- onde a ordem é extrema. Em um Estado regido pelo poder político legítimo, a ordem será sempre, na teoria, usada para buscar o bem comum nem que esse seja a verdade absoluta intangível do Estado moderno.

Olivia P. Wey

Um ideal de bem comum tem diferenças entre o que quer a população e o que garante a política. A população deseja, analisando superficialmente, boas condições de vida e de trabalho, o que ao ver desta prover tais estruturas é uma das obrigações da política. Por existir este conflito de idéias, há a necessidade de construir um consenso entre sociedade e política.
O consenso é constituído a partir do ideal política, mas sem descontentar a população, para essa, a ordem é governar sem grandes contestações e agitações internas, sendo isto o bem comum para a política, pois a partir disso pode contentar a população e, desse modo, legitimar o seu governo.

Rafael Mignino









Quem somos nós.

Camila, Gabriela, Jessica, Luiza, Olivia e Rafael (esq. p/ dir.)


Camila Pinheiro Rodrigues Agostinho: 17 anos, estudante de Relacoes Internacionais - PUC matutino, procurando apenas postar aqui as mais sinceras opinioes politicas a respeito dos diversos assuntos que trataremos ao longo do semestre.

Gabriela Cocito:18 anos comemorados com o ingresso na PUC.Ligada em todas as formas de cultura, aproveitando a vida universitária e sem tempo pra ficar parada!

Jessica Castro: 17 anos, paulistana, futura internacionalista, filha da PUC, stressada, viciada em café, chá mate de pessego, trufas, curte ler, Big Bang theory, filmes, boas companhias, sair sem rumo, Av Paulista e namorar.

Luiza Munhos: 18 primaveras. Apaixonada pela vida. Ainda mais quando esta inclui viagens, filmes, comida, livros e inspiração para escrever. Maior hobby: sonhar.

Olivia Prada Wey:  18 anos, estudante pucana de RI, adoro viajar, comer; curto Frank Sinatra, Amy Winehouse e apaixonada pela Audrey Hepburn.
Rafael Mignoni Teixeira: 17 anos, filho da PUC, fã de cinema, literatura (pseudo poeta), café, conversas, dar risadas e principalmente relaxar e curtir o que há de bom nessa vida.