A servidão Voluntária é um tema que foi amplamente tratado pelos pensadores durante toda a história humana, mas esse foi muito debatido durante a época do Iluminismo em que questões humanas com aquela, liberdade entre outras foram amplamente discutidas.
Rousseau, por exemplo, alegava que a liberdade era alcançada quando a lei obedecida por alguém é a prescrevida por este mesmo, ou seja, quando os próprios homens criam suas leis, de acordo com a vontade geral. O governante, então, seria aquele responsável por garantir a soberania do povo e escolher o que seria melhor para este. Porém é no contrato social em que a condição de liberdade do homem se dá como ameaçada. Neste, o homem percebeu a importância de viver uns com os outros para a sua sobrevivência e abriu mão da sua liberdade em busca de um consenso. O fim da liberdade natural do homem em proveito de uma coesão e um consenso social para vida coletiva, causou a sujeição ao trabalho, à servidão e a miséria, e esse sistema de desigualdade é legitimado pela falta de consciência, um hábito impregnado que só a educação poderia modificar.
Essa falta de consciência nos homens provocada pelo contrato social provoca um fenômeno que é denominado por Rousseau como servidão voluntária: "O homem nasce livre, mas por toda parte encontra-se aprisionado". A servidão voluntária, para Rousseau, se manifesta nas pessoas agindo de acordo com ordens que recebem sem pensar no porque as fazem. Ela pode acontecer de maneira inconsciente, sendo motivada pelo hábito que cada um adquiriu em sua educação. Podemos também encontrar dissertações sobre a servidão voluntária no discurso sobre esta de La Boetie. Este afirma que é característica própria do homem ser bom; na verdade, o filósofo não compreende como toda uma população, milhares de homens podem se submeter ao jugo de um só tirano, abdicando da própria liberdade, se na verdade: ''Tantos homens, tantos burgos, tantas nações, suportam as vezes um tirano só, que tem apenas o poderio que eles lhe dão, que não tem o poder de prejudicá-los senão enquanto tem vontade de suporta-lo''. A força do tirano é a força do povo, por isso, parece não haver sentido aparente nessa servidão voluntária, em abrir mão da própria liberdade, em troco dos mal-tratos do tirano. Etienne La Boetie , em uma visão oposta a de Hobbes, acredita na igualdade dos homens, feitos sob a mesma forma e fôrma pela natureza. La Boetie nega, portanto, toda a forma de tirania, ao contrário de Hobbes que a legitima quando fala que a única obrigação do Estado é garantir a vida, ou seja, a felicidade não necessariamente existe ou qualquer condição boa de vida. Aprofundando mais um pouco no pensamento de Hobbes é pertinente ressaltar que para ele “o homem é o lobo do homem” e para conter essa guerra interminável, os seres humanos concordam em firmar um contrato social. Este contrato subjuga as liberdades da população nas mãos do soberano, criando assim uma servidão. É possível inferir que para Hobbes a Servidão Coletiva é um modo de vida, pois todos devem estar submetidos aos mandos do grande Soberano, pois as liberdades são a ele cedidas por meio do contrato social. Por fim, La Boetie ainda aponta como causa da servidão voluntária o costume, o nascer e ser educado como servo, sem conhecer a liberdade, portanto sem meios de desejá-la ou apontar-lhe como a melhor opção.
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