O pilar central da vida em comunidade é muito mais uma questão de necessidade do que de escolha. É como Sócrates disse no segundo livro da República: “Uma cidade nasce, parece-me, porque cada um de nós não é auto-suficiente, mas carente de muitas coisas”. Como seres incompletos e diferenciados que somos, temos na interdependência a garantia da sobrevivência, e na base desta última, em qualquer sociedade, o trabalho.
Somente o trabalho, seja qual for a sua natureza, é capaz de produzir os frutos para alimentar a humanidade. A derradeira questão é como será feita a distribuição desses frutos? A esse respeito Sócrates não poderia ter sido mais breve ao dizer “cada um deve pôr o trabalho dele a disposição de todos”. De fato, se a apropriação do trabalho de toda a comunidade fosse igualitária, para cada uma de suas partes poderíamos encontrar o “paraíso em terra”, uma existência mais justa todos seres humanos.
É difícil visualizar essa cidade ideal, que Platão exaustivamente descreve, em um plano próximo ao da nossa existência. Somos herdeiros de um modelo de sociedade fundado com base no capital, na qual a divisão social do trabalho não deixa de ser um principio, nem o poderia, mas enquanto a cesta de poucos pesa de tantos frutos, outros estendem as mãos vazias. Por aqui a desigualdade é legitimada e anda de mãos dadas com a exploração dos homens.
A historia prova que a exploração dos homens e a desigualdade não existem apenas na sociedade burguesa. Esses princípios podem ser observados em sociedades pré-capitalistas, como o Império Romano. A desigualdade e a miséria são as maiores conseqüências desse modelo de sociedade, que foi gestado por séculos em conjunto com o capitalismo. A construção desse estado modelo de “coisas” atual, parte do princípio da apropriação do trabalho de muitos por poucos, da acumulação do capital nas mãos de um grupo, uma classe, que oprime os demais.
Ocorreu sobre tudo uma alienação do trabalho e do papel que cada individuo tem no corpo social do qual faz parte. Parece que não faz diferença tentar agir de uma maneira ou de outra, o resultado seria inócuo. Por fim legitimamos um sistema e uma realidade, naturalizando-os quando são puramente construções históricas e fomos seduzidos pelos possíveis benefícios ou pela possível “ascensão” social dentro desse regime. Em fim destruímos a partir da exploração do homem sobre outros homens, qualquer panorama de comunidade em qual prevaleça a justiça e a igualdade.
Acredito que Platão tenha uma opinião extremamente utópica da cidade. Em sociedade alguma, seja ela capitalista ou não, houve perfeita igualdade. Seja a forma aristocrática, ou até democrática (onde pressupõe-se a igualdade), há ,sem contestação, alguma forma de desigualdade social. O homem não só aprendeu a dominar os outros animais como a dominar a si mesmo. E aquele que se deixa dominar ou é fraco demais para lutar contra essa dominação ou consente por concordar com ela. No reino animal - em uma matilha por exemplo - há um "soberano" (o macho alfa) que submete os outros animais a seu bel prazer. Acredito que o ser humano seja dotado desta mesma necessidade biológica de seguir um líder e submeter-se a ele, seja por costume ou pela sobrevivência em si.
ResponderExcluirCristina Toth Piller (RA00093132)
Assim como a colega a cima expôs, acredito que Platão, discípulo de Sócrates, tenha um ideal de sociedade utópico. Afinal, só de entregar o governo a um "soberano", aos sábios, como propunha o próprio filósofo, desigualdade em certo grau já se via. É impossível não haver ao menos um mínimo dela dentro de uma sociedade- independente desta ser capitalista, socialista ou comunista.
ResponderExcluirCreio eu que o homem tenha necessidade de se relacionar com seus semelhantes e, sendo ele um animal político, é inevitável que se deixe dominar mesmo que por consentimento.
Em suma, a desigualdade é filha de qualquer sistema existente e a exploração- em maior ou menor grau, com ou sem consentimento- encontrada, imprescindivelmente, dentro de todas comunidades humanas.
Luiza R. Hadley - RA00100652
O grupo, ao dizer que essa cidade ideal exposta por Platão, é praticamente utópica nos dias atuais, fez uma colocação muito interessante e real, já que para o filósofo, cidade ideal é justamente aquela onde a desigualdade não impera, e onde a preocupação essencial é para o bem de todos dentro da sociedade, e não somente a preocupação individual e particular. Atualmente, devido ao cada vez maior fortalecimento do capitalismo e da busca incessante pela satisfação pessoal econômica, a cidade ideal fica totalmente de lado.
ResponderExcluirNathália Passarelli Conde
RA 00100660